Fascismo digital de gênero?
Possíveis relações entre os discursos da machosfera, as violências contra as mulheres e o feminicídio no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.24862/rcdu.v17i2.2695Palavras-chave:
fascismo digital; machosfera; feminicídio.Resumo
Frente ao crescente número de casos de feminicídio e de violências de gênero no Brasil, este trabalho se propõe a investigar se uma de suas principais causas seria a incitação à hostilidade proferida pelo fascismo digital, verificada possivelmente na disseminação do ódio pela machosfera, em sintonia com os discursos de políticos de extrema direita, que, em geral, são contrários a reivindicações de natureza feminista. Acrescenta-se, nesta investigação, o tensionamento que caracteriza a pauta da regulação das redes sociais. Fundamenta-se na análise bibliográfica e documental de artigos científicos, obras especializadas e legislações pertinentes direcionadas a duas principais categorias: “fascismos” e “gêneros e sexualidades”. A partir de suas classificações e subcategorias, como o “fascismo clássico”, “fascismo digital”, “feminicídio” e “violências de gênero”, analisa-se a composição categorial do “fascismo digital de gênero”. Dentre os resultados obtidos, a partir do estudo do modelo de masculinidade hegemônica, constatam-se aproximações entre o ideário masculino fascista e a exaltação hierárquica da virilidade pelas comunidades misóginas. Verifica-se que é fundamental uma articulação entre o poder público, os setores da sociedade civil, os movimentos sociais e as pessoas cidadãs esclarecidas para a construção e aplicação de uma educação digital inclusiva, ancorada nos direitos humanos.
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