Implicações jurídicas pelo uso da inteligência artificial em campanhas eleitorais no Brasil

Autores

  • Carla Ferreira Gonçalves Centro Universitário Serra dos Órgãos image/svg+xml
  • Vinícius de Mattos Oliveira Universidade Candido Mendes image/svg+xml
  • Carlos Alexandre de França do Prado Nery Universidade Federal Fluminense image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.24862/rcdu.v17i2.2481

Resumo

Com a chegada concreta da inteligência artificial generativa, as sociedades promoveram novas estratégias de comunicação política nos processos eleitorais nacionais e locais, reconfigurando a dinâmica das campanhas e potencializando o micro direcionamento, produção automatizada de conteúdos e a disseminação massiva de desinformação. A investigação discute a abertura de novos flancos de vulnerabilidade para a integridade do processo eleitoral, sobretudo diante da paridade de armas entre candidaturas e autodeterminação informacional do eleitor. Diante de tal cenário, a presente pesquisa examina, em perspectiva crítica, as implicações jurídicas do uso da inteligência artificial em campanhas eleitorais no Brasil, com atenção à responsabilidade civil, penal e eleitoral dos candidatos, partidos e plataformas digitais, além de compreender as lacunas regulatórias vigentes. Em questões metodológicas, adota-se abordagem jurídico-dogmática, de caráter qualitativo, fundada em pesquisa bibliográfica e documental sobre o ordenamento brasileiro. Mediante análise de decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente nos Temas 987 e 533 da repercussão geral, bem como da regulamentação expedida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre propaganda eleitoral, desinformação e uso de inteligência artificial, busca-se estabelecer diálogo crítico com iniciativas estrangeiras de regulação, com destaque para o Regulamento Europeu de Inteligência Artificial (AI Act) e seus deveres de transparência, rastreabilidade e mitigação de riscos sistêmicos. Por fim, sustenta-se a necessidade de arranjo normativo que reconheça o poder informacional algorítmico como fator de risco democrático e estabeleça deveres reforçados de transparência, governança e responsabilização, valorando os princípios republicanos do Estado Democrático de Direito.

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Biografia do Autor

Carla Ferreira Gonçalves, Centro Universitário Serra dos Órgãos

Doutora e Mestre em Direito pela Universidade Estácio de Sá (PPGD/UNESA). Especialista em Direito da Sociedade de Informação pela Universidade de Lisboa (Ulisboa). Professora de Direito Privado do Centro Universitário Serra dos Órgãos (UNIFESO). Advogada

Vinícius de Mattos Oliveira, Universidade Candido Mendes

Mestre em Direito pela Universidade Candido Mendes (PPGD/UCAM). Especialista Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ) e em Direito Tributário e Aduaneiro pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/MG). Advogado

Carlos Alexandre de França do Prado Nery, Universidade Federal Fluminense

Mestrando em Direito pela Universidade Federal Fluminense (PPGD/UFF). Especialista Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ). Advogado

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Publicado

2026-08-25

Como Citar

Gonçalves, C. F., Oliveira, V. de M., & Nery, C. A. de F. do P. (2026). Implicações jurídicas pelo uso da inteligência artificial em campanhas eleitorais no Brasil. Revista Do Curso De Direito Do UNIFOR, 17(2), e262481. https://doi.org/10.24862/rcdu.v17i2.2481

Edição

Seção

Edição Especial - Democracia e Big Techs: Guerra de Afetos em outros olhares