CIF: Aplicação com fundamentação ou mera imposição?
Resumo
Introdução: A fisioterapia, uma profissão tão recente, tem alcançado uma evolução considerável na prática clínica e na produção científica. Mesmo apresentando níveis notórios de crescimento, a especialidade está inserida no modelo biomédico onde o interesse maior está voltado para a deficiência e em seus reflexos limitantes do ponto de vista funcional. Objetivo: Realizar uma análise contextual dos estudos da fisioterapia no alcance de suas abordagens biopsicossociais explorando as categorias deficiência, funcionalidade e incapacidade norteado pelo sistema da Classificação Internacional de Funcionalidade Incapacidade e Saúde (CIF). Métodos: Uma investigação dos estudos publicados nos últimos 5 anos envolvendo a fisioterapia e a CIF foi realizada. Resultados: De acordo com os estudos avaliados, a investigação do processo de incapacidade é restrita aos fatores biológicos, voltados para estrutura e função do corpo com foco na deficiência. Em segundo plano, a atividade e pouco ou quase nada na participação social considerando os fatores contextuais. Em sua maioria, a funcionalidade/incapacidade não é considerada como um processo complexo derivado da interação de fatores biológicos, ambientais, econômicos, sociais e culturais. Resultando na dicotomização do processo, reduzindo a complexidade da incapacidade à limitação física. O que pode ser explicado pelos métodos de avaliação não integrados à diferentes dimensões da saúde funcional. Foi possível identificar nos estudos a carência nos entendimentos dos conceitos propostos pelo modelo da OMS (Organização Mundial de Saúde) o que acaba fragilizando o método de classificação. Conclusão: em geral, os estudos da fisioterapia apresentam diferentes referenciais teóricos incorporados no modelo biomédico, que se destaca. Poucos abordam o social, negligenciando o biopsicossocial, como preconizado pelo OMS.
Palavras-chave: Fisioterapia; Classificação Internacional de Funcionalidade Incapacidade e Saúde; Doença.
